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Das tranças esculturais aos dreads esculpidos, os penteados são protagonistas na novela ‘A Nobreza do Amor’

A Nobreza do Amor: Um Manifesto Estético na Televisão Brasileira

A novela “A Nobreza do Amor”, transmitida pela Globo, é um exemplo de como a caracterização pode ser protagonista em uma produção televisiva. O reino africano fictício de Batanga, onde parte da trama se passa, é construído com detalhes que celebram a multiplicidade dos cabelos crespos e cacheados, mostrando uma beleza raramente vista na teledramaturgia brasileira.

O caracterizador-chefe Auri Mota mergulhou em etnias africanas, rituais e costumes para criar uma estética própria para a novela. Cada detalhe, desde a paleta de acessórios até as texturas crespas e fibras naturais, carrega intenção e contribui para a construção do universo de Batanga.

Os Penteados como Protagonistas

Os penteados são um dos principais elementos da caracterização em “A Nobreza do Amor”. As mulheres usam tranças e os homens usam dreads, que refletem a matrilinearidade daquele povo. Cada personagem tem um acervo exclusivo de cabelo, com peças feitas à mão e itens importados da Nigéria para garantir autenticidade.

  • A personagem de Duda Santos, a princesa Alika, usa tranças fulani bem finas e rentes na frente, soltas atrás.
  • A personagem de Nikolly Fernandes, Kênia, tem uma trança nagô enraizada com apliques que variam o visual.
  • A rainha Niara, papel de Erika Januza, começa a novela com uma trança fulani solta e evolui para coques mais baixos ao longo da trama.

A beleza masculina também é destacada, com o vilão Kendall, vivido por Lázaro Ramos, usando dreads trançados com penteados que remetem a um escorpião e a um búfalo.

Uma Equipe de Profissionais

Nos bastidores, uma equipe de 18 profissionais trabalha em até três sets simultaneamente, com um arsenal técnico que inclui babyliss e triondas para recriar os cabelos dos anos 1920.

A luminosidade evidente na pele dos personagens negros foi uma escolha deliberada, para deixá-los cheios de vida. “Minha função, além de desenhar, é botar esse povo para brilhar”, afirma Auri Mota.

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