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Crianças já moldavam objetos de argila há 15 mil anos, diz estudo

Descoberta Arqueológica Revela Uso de Argila por Crianças Há 15 Mil Anos

Um estudo recente publicado na revista Science Advances trouxe à luz uma descoberta fascinante sobre o uso de argila por crianças há 15 mil anos. A equipe de arqueólogos internacionais encontrou 142 contas e pingentes de argila no sudoeste asiático, considerados os mais antigos da região. O que chama a atenção é que alguns desses artefatos foram moldados pelas mãos de crianças, revelando um capítulo curioso da história da humanidade.

Os objetos encontrados incluem anéis de argila com apenas 10 milímetros de largura, projetados especificamente para os pequenos. Além disso, as superfícies dos ornamentos preservaram 50 impressões digitais, permitindo que os pesquisadores identificassem quem os fez. Essa é a primeira vez que arqueólogos conseguem identificar os fabricantes de ornamentos paleolíticos.

Uso de Argila e Simbolismo

As contas foram cuidadosamente moldadas em cilindros, discos e elipses a partir de argila crua e revestidas com ocre vermelho, utilizando uma técnica conhecida como engobe. Esse é o uso mais antigo conhecido dessa técnica de coloração em todo o mundo. Os ornamentos foram encontrados em quatro sítios natufianos, abrangendo mais de três milênios de ocupação pelas primeiras comunidades sedentárias do mundo.

As descobertas trazem à luz um capítulo esquecido na história de como os seres humanos começaram a expressar identidade, pertencimento e significado por meio da cultura material. A enorme quantidade de contas encontradas mostra que o uso da argila não se tratava de um experimento isolado, mas de uma tradição consolidada.

  • Os ornamentos foram encontrados em quatro sítios natufianos: el-Wad, Nahal Oren, Hayonim e Eynan-Mallaha.
  • As contas foram moldadas em cilindros, discos e elipses a partir de argila crua.
  • Os ornamentos foram revestidos com ocre vermelho, utilizando uma técnica conhecida como engobe.

Os resultados sugerem que a confecção de ornamentos era uma atividade cotidiana compartilhada, desempenhando um papel na aprendizagem, na imitação e na transmissão de valores sociais de uma geração para a seguinte. Além disso, as descobertas refutam a ideia de que os usos simbólicos da argila no sudoeste asiático só surgiram com a agricultura e o modo de vida neolítico.

Em resumo, a descoberta arqueológica revela que o uso de argila por crianças há 15 mil anos foi uma forma de expressar identidade, afiliação e relações sociais, e que as raízes do Neolítico são mais profundas do que pensávamos.

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