Polilaminina: entenda a esperança e os testes ainda necessários
A pesquisa com a polilaminina, desenvolvida por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a farmacêutica Cristália, alcançou grande visibilidade nos últimos dias. No entanto, algumas perguntas ainda precisam ser respondidas para que se possa afirmar sem dúvida que a substância é capaz de ajudar pessoas com lesão medular a recuperar seus movimentos.
A polilaminina foi descoberta por acaso pela professora Tatiana Sampaio, quando ela tentava dissociar as partes que compõem a laminina, uma proteína presente em várias partes do nosso corpo. A substância é formada por uma rede de lamininas que se juntam umas com as outras, o que ocorre no organismo humano, mas nunca tinha sido reproduzido em laboratório.
A polilaminina atua como base para a movimentação dos axônios, partes dos neurônios responsáveis pela transmissão de sinais elétricos e químicos. Quando ocorre uma fratura na medula, os axônios são rompidos, o que interrompe a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo, causando paralisia.
Um estudo-piloto foi realizado com oito pacientes que sofreram lesão total em diversos pontos da medula, e os resultados mostraram que cinco pacientes apresentaram algum ganho motor após receber a polilaminina e passar por cirurgia de descompressão. No entanto, isso não significa que todos voltaram a andar.
Os testes com a polilaminina estão na fase 1, que visa identificar se o composto é seguro e se os humanos vão tolerar receber esse tratamento. A substância será aplicada em cinco pacientes voluntários com lesões agudas completas da medula espinhal torácica.
Os desafios para os testes incluem a dificuldade de recrutar pacientes com lesões medulares agudas e a necessidade de adaptações nos procedimentos de teste. Além disso, os órgãos regulatórios precisam ser estruturados e ter capacidade técnica para recepcionar e destravar as inovações de forma responsável.
A redução dos entraves depende também de uma mudança de cultura, com a valorização da ciência pública e o investimento em tecnologias. A criadora da polilaminina, a professora Tatiana Sampaio, acredita que a redução dos entraves depende de uma compreensão de que investir na ciência pública é uma opção de um país que quer se desenvolver.
- A polilaminina é uma substância que atua como base para a movimentação dos axônios, partes dos neurônios responsáveis pela transmissão de sinais elétricos e químicos.
- Os testes com a polilaminina estão na fase 1, que visa identificar se o composto é seguro e se os humanos vão tolerar receber esse tratamento.
- A substância será aplicada em cinco pacientes voluntários com lesões agudas completas da medula espinhal torácica.
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