Entendendo os Medicamentos Genéricos: Qualidade e Acesso
No Brasil, o acesso a remédios foi um marcador de desigualdade importante. Com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) e a Lei dos Genéricos, em 1999, o governo federal buscou mudar esse cenário, estimulando a concorrência e assegurando a qualidade dos medicamentos.
Os medicamentos genéricos são identificados pela tarja amarela nas embalagens e oferecem um desconto médio de 67% em relação ao produto de referência. Mas por que eles custam menos? O que define um medicamento de referência? E qual é a origem do medicamento genérico?
O Caminho até as Farmácias
Tudo começa na bancada de pesquisa, quando a indústria farmacêutica inicia o estudo de uma nova molécula. Após estudos pré-clínicos e clínicos, o composto se torna um Novo Medicamento Experimental e passa por uma série de testes e aprovações.
A fase clínica pode durar de seis a sete anos e representa até 65% do orçamento total. Após a aprovação, o medicamento é mantido em fase de farmacovigilância constantemente. Essa etapa acompanha o medicamento após a sua entrada no mercado e chega a consumir mais de 10% do investimento total.
Referência vs. Genérico
O medicamento de referência é o produto inovador, registrado na Anvisa, cuja eficácia, segurança e qualidade foram comprovadas cientificamente. Ele possui marca e patente, garantindo exclusividade comercial por um período que pode variar entre 10 e 20 anos.
O medicamento genérico é a cópia do produto após a queda da patente do produto de referência. Ele não precisa refazer todos os testes desde o início, o que reduz o custo de produção. No entanto, ele deve demonstrar equivalência farmacêutica com o medicamento de referência, conhecida como bioequivalência.
Bioequivalência
A bioequivalência significa comprovar que o medicamento é absorvido pelo organismo na mesma velocidade e extensão que o produto de referência. A Anvisa estabelece métricas rigorosas em relação às medições, cujo intervalo de confiança estatístico deve ficar entre 80% e 125% para parâmetros como concentração máxima e área sob a curva de absorção.
No Brasil, apenas 13 centros de pesquisa são autorizados pela Anvisa para conduzir esses ensaios. Os testes são considerados de baixo custo em comparação ao desenvolvimento de um medicamento inovador e seguem protocolos éticos rigorosos.
Mercado Brasileiro
Passados mais de 25 anos da Lei dos Genéricos no Brasil, os números indicam consolidação. Hoje, 90% das doenças conhecidas já podem ser tratadas com medicamentos genéricos e esse número tem se refletido no sistema de saúde: cerca de 85% dos medicamentos distribuídos pelo Programa Farmácia Popular são genéricos.
A presença dos genéricos no mercado brasileiro é positiva para a economia e para a indústria farmacêutica nacional. Atualmente, o Brasil ocupa a posição de sétimo maior mercado farmacêutico do mundo e o maior da América Latina.
- 86,2% dos consumidores no país afirmam confiar nos medicamentos genéricos.
- Os genéricos geraram uma economia de mais de R$ 329 bilhões para consumidores e pacientes desde 2000.
- Em 2024, aproximadamente 2,18 bilhões de unidades de medicamentos genéricos foram movimentadas.
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