Água de aquíferos glaciais de 12 mil anos nos EUA pode proteger contra Parkinson, sugere estudo
Um novo estudo apresentado na 78ª Reunião Anual da American Academy of Neurology revelou que a idade da água subterrânea consumida por uma população pode estar associada ao risco de desenvolver Parkinson. A pesquisa analisou dados de 12.370 pessoas diagnosticadas com Parkinson e mais de 1,2 milhão de indivíduos sem a doença, que formaram o grupo de controle.
Os cientistas avaliaram o tipo de aquífero, a fonte da água potável e possíveis indícios de contaminação ambiental. O objetivo foi investigar se a exposição indireta a poluentes presentes na água poderia estar associada ao aumento do risco de doenças neurológicas. De acordo com Brittany Krzyzanowski, do Atria Research Institute, a idade da água subterrânea pode indicar o seu nível de exposição a poluentes modernos.
Tipos de aquíferos e risco de Parkinson
Entre os tipos de aquíferos analisados, os que apresentaram maior associação com a doença foram os chamados aquíferos carbonáticos, formados por rochas calcárias e comuns em regiões do Centro-Oeste, Sul e da Flórida, nos EUA. Já os aquíferos glaciais, geologicamente mais antigos, apresentaram menores concentrações de poluentes e, logo, mostraram-se menos relacionados com o desenvolvimento do quadro neurológico.
- Águas subterrâneas mais recentes, depositadas nos últimos 75 anos em sistemas carbonáticos, estavam associadas a um risco 11% maior de Parkinson quando comparadas às águas glaciais com mais de 12 mil anos.
- Pessoas que bebem água proveniente de aquíferos carbonáticos apresentam um risco 24% maior de desenvolver Parkinson em comparação com indivíduos abastecidos por outros tipos de aquíferos.
- Quando comparadas especificamente às populações que consumiam água proveniente de aquíferos glaciais, o risco de desenvolver a doença foi 62% superior.
A exposição a determinados poluentes ambientais tem sido cada vez mais associada ao desenvolvimento da doença de Parkinson, um distúrbio neurodegenerativo que afeta o controle dos movimentos e pode causar tremores, rigidez muscular e dificuldades motoras.
Os resultados sugerem que fatores ambientais pouco observados – como a idade e a origem da água potável – podem desempenhar um papel importante na saúde neurológica. Embora sejam necessárias mais pesquisas, integrar o conhecimento sobre águas subterrâneas e saúde cerebral pode ajudar comunidades a avaliar e reduzir melhor os riscos ambientais.
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