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Descoberta brasileira pode mudar o que se sabe sobre a evolução dos crocodilos

Descoberta brasileira pode mudar o que se sabe sobre a evolução dos crocodilos

Um estudo liderado por pesquisadores do Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), indica que o crescimento lento dos crocodilos modernos pode ser uma aquisição evolutiva mais recente. A pesquisa investigou a espécie Dynamosuchus collisensis, que viveu há cerca de 231 milhões de anos, no período Triássico, e cujos fósseis foram encontrados no sítio paleontológico de Várzea do Agudo, no Rio Grande do Sul.

A equipe de pesquisadores, liderada pelo biólogo Brodsky Dantas Macedo de Farias, utilizou a técnica de paleohistologia para analisar a microestrutura dos ossos fossilizados. Essa técnica permite entender como os animais cresciam e a idade individual de espécies extintas. Foram examinadas lâminas do úmero, do fêmur e de uma costela do exemplar, e a microestrutura revelou ossos altamente vascularizados, com predomínio de tecidos associados a deposição rápida.

Os pesquisadores identificaram marcas anuais de crescimento nos ossos, o que permitiu estimar que o exemplar tinha pelo menos quatro anos quando morreu. Além disso, a ausência de um “sistema fundamental externo” sugere que o indivíduo analisado ainda estava longe do ponto de maturidade esquelética. Isso indica que o animal mantinha crescimento acelerado contínuo no momento da morte.

A análise das vértebras mostrou suturas neurocentrais abertas, outro indicativo de imaturidade. Juntas, as duas linhas de evidência confirmam que o espécime era juvenil, mas já alcançava cerca de dois metros de comprimento. De acordo com os autores, esse padrão aproxima os ornithosuchídeos de outros grandes arcossauros triássicos que exibiam fases prolongadas de crescimento rápido.

Implicações para a evolução dos crocodilos

Se for confirmado que tal característica é ancestral no grupo crocodilomorfos, isso significa que o padrão lento observado nos crocodilos modernos teria surgido só mais tarde na linha evolutiva desses répteis. Essa evidência pode implicar em uma mudança significativa no paradigma da fisiologia e da estratégia de vida da linhagem desses animais.

Os autores destacam a importância desse projeto, que segue ativo e em busca de novos desdobramentos. A descoberta pode mudar o que se sabe sobre a evolução dos crocodilos e abrir novas perspectivas para a compreensão da biologia e da ecologia desses animais.

  • A pesquisa foi liderada pelo biólogo Brodsky Dantas Macedo de Farias, pesquisador de pós-doutorado no Museu Nacional.
  • A técnica de paleohistologia foi utilizada para analisar a microestrutura dos ossos fossilizados.
  • O estudo foi publicado na revista científica Royal Society Open Science.

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