Descoberta Arqueológica no Vietnã Revela Tradição de Escurecimento de Dentes Há 2 Mil Anos
Um estudo arqueológico recente publicado na revista Archaeological and Anthropological Sciences trouxe à luz uma prática cultural fascinante que remonta a cerca de 2 mil anos no sudeste asiático. Em escavações no sítio arqueológico de Dong Xa, no delta do Rio Vermelho, no norte do Vietnã, os pesquisadores encontraram um cemitério com esqueletos que apresentavam dentes permanentemente escurecidos.
A equipe de pesquisa utilizou técnicas não invasivas, como fluorescência de raios X e microscopia eletrônica de varredura com espectrometria de dispersão de energia (MEV-EDS), para analisar o esmalte dentário dos crânios encontrados. Os resultados mostraram altas concentrações de ferro (Fe) e enxofre (S) nas áreas enegrecidas do esmalte, indicando o uso intencional de sais de ferro na pigmentação dos dentes.
Processo de Escurecimento e Significado Cultural
O processo de escurecimento dos dentes provavelmente exigia dias ou semanas de aplicação de uma mistura de sais de ferro e substâncias vegetais ricas em taninos, como a noz de betel, até que o tom escuro se fixasse. Depois disso, os dentes permaneciam pretos por toda a vida, com retoques ocasionais para manter o brilho. Essa prática foi registrada no Vietnã desde o século 19 como um padrão estético valorizado, especialmente entre mulheres, e era considerada um símbolo de beleza, maturidade e identidade cultural.
As razões para o surgimento dessa prática ainda são debatidas, mas hipóteses incluem a busca por uma alternativa menos extrema à ablação dentária, a intensificação ou padronização das manchas causadas pela mastigação da noz de betel, ou até mesmo a proteção do esmalte contra cáries devido à camada formada pela reação química entre ferro e taninos.
Conclusões e Implicações
A descoberta no cemitério de Dong Xa é a primeira a conectar dentes enegrecidos descobertos arqueologicamente com práticas modernas de escurecimento intencional dos dentes. A presença combinada de ferro e enxofre no esmalte pode servir como um marcador diagnóstico confiável de escurecimento intencional em contextos arqueológicos, permitindo a reconstrução de hábitos estéticos e rituais de populações antigas de forma mais precisa.
Essa pesquisa não apenas lança luz sobre uma prática cultural fascinante, mas também destaca a importância da análise química em arqueologia para entender melhor as culturas do passado. Além disso, a descoberta reforça a ideia de que a beleza e a identidade cultural podem ser expressas de maneiras únicas e significativas, como no caso do escurecimento dos dentes, que continua a ser uma afirmação de herança cultural em comunidades rurais do Vietnã e outras regiões do sudeste asiático.
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