A Lua está encolhendo: um processo geofísico intenso
A afirmação de que a Lua está “encolhendo” não é apenas uma figura de linguagem, mas sim o resultado de um processo geofísico intenso que tem sido acompanhado pelos astrônomos. Estima-se que, nos últimos 200 milhões de anos, o satélite natural da Terra tenha perdido cerca de 50 metros em seu raio, à medida que seu interior esfriou e se contraiu.
Esse fenômeno já era conhecido pelos cientistas há pelo menos 15 anos, mas agora ganha novos contornos com o primeiro mapa de pequenas cristas tectônicas espalhadas pelos mares lunares, produzido por especialistas do CEPS (Centro de Estudos da Terra e dos Planetas do Museu Nacional do Ar e do Espaço).
Atividade tectônica lunar
A Lua não possui placas móveis como a Terra, mas isso não impede que seus solos tremam. Desde as missões Apollo, sabe-se que o satélite natural não é geologicamente inerte e sofre com tremores, que recebem o nome de sismos lunares ou “lunamotos”. O motor dessas deformações é o resfriamento progressivo do interior lunar.
A maioria das montanhas na Terra se forma quando placas tectônicas colidem e a crosta terrestre se deforma. No caso da Lua, as montanhas se formam como resultado de impactos, e as estruturas características são formadas pela contração do interior lunar.
Pequenas cristas dos mares
O novo estudo concentra-se em outra classe de estruturas tectônicas: as SMRs (small mare ridges), cristas localizadas exclusivamente nos mares lunares. O catálogo identifica 1.114 segmentos de SMRs na face visível da Lua, elevando o total conhecido para 2.634.
Calcula-se que a idade dessas cristas seja de 124 milhões de anos, o que indica que ambas estão entre as estruturas geológicas mais jovens da Lua. A análise mostrou que as SMRs se formam pelo mesmo tipo de falha responsável pelas escarpas nas terras altas.
Implicações para a exploração lunar
A relevância do estudo vai além do mapeamento geomorfológico. As novas evidências reforçam que a contração da Lua continua a produzir deformações recentes – e potencialmente tremores. Isso cria oportunidades científicas, mas também impõe cautela, especialmente com a perspectiva de futuras bases humanas ou missões tripuladas.
- A contração da Lua continua a produzir deformações recentes e potencialmente tremores.
- As SMRs têm a mesma origem estrutural que as falhas de pressão.
- A compreensão da tectônica e da atividade sísmica lunar é essencial para a segurança e o sucesso científico das missões lunares.
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