Cientistas estão usando focas para estudar “geleira do fim do mundo” na Antártida
A geleira Thwaites, localizada no oeste da Antártida, é considerada uma das áreas mais críticas do planeta. Devido ao seu potencial de acelerar a elevação do nível do mar caso entre em colapso e derreta, ela é apelidada de “geleira do fim do mundo”. Para entender melhor o que acontece sob essa gigantesca massa de gelo, cientistas estão contando com uma ajuda curiosa: as focas-de-weddell (Leptonychotes weddellii).
Essas focas são adaptadas ao frio extremo e a mergulhos profundos, funcionando como plataformas vivas de pesquisa. Elas são equipadas com sensores que coletam dados em regiões onde navios e equipamentos científicos não conseguem operar, especialmente durante o inverno antártico. Os sensores colados na cabeça dos animais têm aproximadamente o peso e o tamanho de três smartphones empilhados.
Os dados coletados são considerados fundamentais para o futuro do planeta. Durante o inverno, quando o gelo marinho impede o acesso de embarcações, as focas se tornam praticamente a única fonte de informações sobre a física do oceano na região. Como conseguem mergulhar até cerca de mil metros de profundidade, elas ajudam a coletar dados em níveis que exigiriam longas e complexas operações com instrumentos tradicionais.
Os cientistas estão utilizando esses dados para entender como águas mais quentes estão corroendo a base da geleira Thwaites. Esse mesmo processo traz nutrientes do fundo do mar, como ferro, que alimentam peixes e outros organismos, alterando cadeias alimentares inteiras. Mudanças semelhantes podem estar ocorrendo sob plataformas de gelo e icebergs em derretimento.
Para coletar esses dados, os cientistas realizam uma operação precisa e cautelosa para marcar as focas. Aqui estão os passos principais:
- Os pesquisadores se aproximam lentamente das focas, muitas vezes após um helicóptero conduzir o animal até o centro de uma placa de gelo.
- Um sedativo é aplicado com um tubo de sopro ou com seringa, dependendo do comportamento da foca.
- Depois da injeção, os cientistas se afastam e aguardam até que o sedativo faça efeito.
- Quando o animal adormece, eles colocam um saco de tecido respirável sobre sua cabeça para reduzir estímulos visuais e facilitar o procedimento.
- Só então o sensor é colado na cabeça da foca.
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