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Hábito de se queimar alterou o DNA humano ao longo da evolução, segundo estudo

Estudo Revela que o Hábito de se Queimar Alterou o DNA Humano ao Longo da Evolução

O domínio do fogo foi fundamental para o sucesso do Homo sapiens, permitindo que cozinhassem alimentos, aquecessem o corpo e desenvolvessem tecnologias. No entanto, um novo estudo internacional sugere que essa relação íntima com o fogo também teve um custo biológico profundo, influenciando como reagimos a ferimentos, infecções e lesões graves.

Os pesquisadores do Imperial College London, liderados pelo cirurgião Joshua Cuddihy, propõem que a exposição recorrente a queimaduras ao longo de mais de um milhão de anos atuou como uma força de seleção natural. Isso significa que as lesões quase exclusivas humanas, como queimaduras, podem ter moldado o DNA humano de forma única.

  • Queimaduras são lesões exclusivamente humanas, com nenhuma outra espécie vivendo em ambientes com altas temperaturas e sob o risco constante de queimaduras como os humanos.
  • As lesões variam de queimaduras leves a danos extensos que destroem grandes porções da principal barreira de proteção do corpo contra microrganismos externos.
  • A equipe comparou dados genômicos de humanos e outros primatas, revelando sinais claros de evolução acelerada em genes ligados à inflamação, ao fechamento de feridas e à resposta do sistema imunológico.

Os especialistas trabalham com a hipótese de que a seleção natural favoreceu indivíduos capazes de reagir rapidamente a queimaduras leves e moderadas, com dor intensa, inflamação imediata e cicatrização eficiente. Essas características teriam aumentado as chances de sobrevivência e reprodução ao longo de milhares de gerações.

No entanto, o mesmo mecanismo que protege pode, paradoxalmente, matar. As respostas inflamatórias intensas e a cicatrização acelerada, úteis em lesões pequenas, tornam-se desastrosas quando o corpo enfrenta queimaduras extensas. Isso pode explicar por que os humanos modernos continuam particularmente vulneráveis a queimaduras graves, apesar dos avanços da medicina.

O estudo abre um novo campo de reflexão, apresentando uma nova forma de seleção natural que depende da cultura. Os autores acreditam que esse enquadramento evolutivo pode transformar a pesquisa clínica sobre queimaduras, ajudando a explicar por que alguns pacientes se recuperam melhor do que outros e abrindo caminho para tratamentos mais personalizados no futuro.

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