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Adeus, orelhão: relembre a história do telefone ícone das ruas

A paisagem urbana brasileira está prestes a perder um de seus elementos mais característicos e democráticos das últimas cinco décadas. Em janeiro de 2026, com o encerramento dos contratos de concessão do serviço de telefonia fixa, foi decretado o início do fim para a vasta maioria dos orelhões espalhados pelo país.

Para entender a história do orelhão, é importante saber como ele surgiu. A história dos orelhões se confunde com a própria tentativa de modernização da infraestrutura brasileira entre as décadas de 1970 e 1980. Antes de sua implementação massiva, falar ao telefone no Brasil era uma tarefa hercúlea e elitista, restrita a poucas residências abastadas ou a estabelecimentos comerciais que gentilmente cediam seus aparelhos.

O design do orelhão também é uma história interessante. Criado em 1971 pela arquiteta Chu Ming Silveira, o design em forma de concha acústica foi pensado para o clima tropical. O “ovo” de fibra de vidro bloqueia o ruído da rua e virou um símbolo de design industrial brasileiro exportado para o mundo.

Além disso, o orelhão foi uma tecnologia revolucionária para o seu tempo. Para a geração atual, acostumada com a latência zero e videochamadas em alta definição, pode parecer estranho classificar um telefone fixo de rua como “revolucionário”. Mas, para o seu tempo, o orelhão representava o ápice da comunicação instantânea fora de casa.

O orelhão também é um ícone do cinema. A presença do orelhão na cultura brasileira é tão onipresente que ele transcendeu a utilidade pública para se tornar um elemento narrativo poderoso no cinema e na arte. Um exemplo recentíssimo dessa força simbólica é o filme O Agente Secreto (2025/2026), de Kleber Mendonça Filho.

Por fim, é importante entender por que os orelhões caíram em desuso. A queda do império dos orelhões não aconteceu da noite para o dia; foi um processo de erosão lento, impulsionado principalmente pela revolução digital móvel. O grande “algoz” do telefone público foi a popularização massiva do celular pré-pago no final dos anos 1990 e início dos anos 2000.

Com o fim da concessão, os orelhões começam a se despedir das ruas brasileiras. No entanto, o fim da concessão não significa o desaparecimento instantâneo de 100% dos aparelhos. A Anatel e o Ministério das Comunicações estabeleceram regras de transição para garantir que ninguém fique desassistido.

Alguns pontos importantes sobre o orelhão incluem:

  • Como surgiram os orelhões: A história dos orelhões se confunde com a própria tentativa de modernização da infraestrutura brasileira entre as décadas de 1970 e 1980.
  • O design oval inconfundível: Criado em 1971 pela arquiteta Chu Ming Silveira, o design em forma de concha acústica foi pensado para o clima tropical.
  • Uma tecnologia revolucionária para o seu tempo: Para a geração atual, acostumada com a latência zero e videochamadas em alta definição, pode parecer estranho classificar um telefone fixo de rua como “revolucionário”.
  • O orelhão como ícone do cinema: A presença do orelhão na cultura brasileira é tão onipresente que ele transcendeu a utilidade pública para se tornar um elemento narrativo poderoso no cinema e na arte.
  • Por que os orelhões caíram em desuso: A queda do império dos orelhões não aconteceu da noite para o dia; foi um processo de erosão lento, impulsionado principalmente pela revolução digital móvel.

Em resumo, o orelhão é um ícone da história brasileira que está prestes a desaparecer das ruas. No entanto, sua memória e importância continuarão a ser lembradas e celebradas.

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