Descoberta Genética em Rãs
Um estudo publicado na revista PLOS Genetics revelou a existência de uma espécie de rã (Xenopus laevis) que desenvolveu um sistema genético distinto para determinar o sexo. Essa descoberta é surpreendente, pois a maioria das espécies tem o sexo biológico pré-determinado geneticamente antes mesmo de nascer.
Os pesquisadores reconstruíram o processo evolutivo do gene dm-w nas rãs durante dez anos. Eles descobriram que o gene dm-w tem um papel fundamental na indução do desenvolvimento do sexo biológico feminino. Sem a influência desse gene, as rãs se tornam machos.
Origem do Gene dm-w
O gene dm-w derivou do gene ancestral dmrt1, responsável por regular as características sexuais masculinas em muitos seres vivos. No entanto, os cientistas não sabiam como o gene funcionava, então decidiram reconstruir a sua linhagem evolutiva.
Há 20 milhões de anos, um dos ancestrais da rã X. laevis adquiriu o dobro de seu material genético. Isso criou as condições perfeitas para o surgimento do gene dm-w. Com duas cópias de praticamente todos os genes, mutações ocorreram, e o gene dmrt1 foi duplicado, dando origem às versões dmrt1.S e dmrt1.L.
Evolução do Gene dm-w
Os pesquisadores desativaram as versões S e L nas rãs X. laevis e também inativaram o dmrt1 em outra espécie relacionada, as rãs Xenopus tropicalis. Eles descobriram que a versão L do gene dmrt1 não sofreu alterações nas fêmeas, enquanto a versão S se tornou desnecessária para a fertilidade feminina.
Com o tempo, a versão S do gene dmrt1.S foi parcialmente duplicada, dando origem ao dm-w. Esse gene sequestrou todo o sistema que determina se um indivíduo se desenvolverá em fêmea ou macho, algo raro entre as espécies de animais.
Essa descoberta é importante para entender como os genes podem mudar ao longo do tempo e como isso pode afetar a determinação do sexo em diferentes espécies. Além disso, essa pesquisa pode ter implicações para a compreensão de doenças relacionadas à reprodução e ao desenvolvimento.
- O gene dm-w é responsável pela determinação do sexo biológico feminino nas rãs X. laevis.
- A versão L do gene dmrt1 não sofreu alterações nas fêmeas.
- A versão S do gene dmrt1.S se tornou desnecessária para a fertilidade feminina.
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