Por que controlar custos não basta para sustentar a saúde suplementar
O controle de custos é um tema recorrente na saúde suplementar, especialmente quando a conta aperta. No entanto, é importante lembrar que a sustentabilidade do setor de saúde envolve mais do que apenas reduzir despesas. É fundamental atuar em três frentes: qualidade assistencial, acesso e eficiência operacional.
Depois de mais de duas décadas atuando na gestão da saúde, é possível afirmar que o sistema não ficou caro apenas porque os pacientes usam demais os serviços. O cuidado é desorganizado, tardio, mal coordenado e falta integração tecnológica, o que aumenta os custos.
Experiências da Maida Health mostram que o volume de solicitações de atendimento em saúde, visitas a pacientes internados e auditorias de faturamento hospitalar são indicadores importantes para entender o que realmente pressiona os custos. Não são as decisões clínicas complexas que mais contribuem para os custos, mas sim as internações prolongadas por falta de cuidado prévio, falhas de comunicação entre equipes e ausência de acompanhamento contínuo.
O debate sobre controle de custos muitas vezes cai na armadilha de escolher entre cortar gastos ou preservar o cuidado. No entanto, é possível estimular o cuidado continuado, a longo prazo, com integrações e protocolos bem definidos. A transformação digital, o empoderamento e o estímulo ao autocuidado são fundamentais para melhorar a eficiência assistencial.
A eficiência assistencial não se refere a restringir o acesso, mas sim a garantir que o paciente receba o cuidado adequado, no tempo correto e no ambiente certo. Quando isso não acontece, o sistema paga duas vezes: financeiramente e no desgaste da saúde das pessoas.
Para mudar esse cenário, é necessário investir em uma jornada integrada de cuidado, organização dos processos, programas de cuidado e protocolos, bem como na transformação digital da saúde. A tecnologia pode apoiar totalmente nisso, mas é fundamental lembrar que a transformação digital de verdade não é apenas empilhar ferramentas, mas sim mudar a forma de trabalhar.
Em resumo, a saúde suplementar não vai se sustentar fazendo as mesmas coisas que tem feito no decorrer do tempo. É necessário organizar o cuidado, olhar para o longo prazo e parar de apagar incêndios. Isso será o diferencial dos negócios envolvidos neste setor.
Alguns pontos importantes para considerar:
- Transformação digital: é fundamental para melhorar a eficiência assistencial e reduzir custos.
- Empoderamento: é importante estimular o autocuidado e a participação ativa dos pacientes em sua saúde.
- Integração: é fundamental integrar dados, processos e pessoas para que decisões sejam tomadas antes que o problema vire crise.
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