Mexilhão-dourado invasor chega à Amazônia e preocupa cientistas
A invasão do mexilhão-dourado na Amazônia é um tema que tem despertado grande preocupação entre pesquisadores, órgãos ambientais e comunidades ribeirinhas. A espécie invasora Limnoperna fortunei, popularmente conhecida como mexilhão-dourado, foi registrada pela primeira vez no rio Tocantins em 2023 e desde então tem se espalhado rapidamente.
Um novo estudo publicado na Acta Limnologica Brasiliensia traz as primeiras análises populacionais da espécie na região e revela um cenário de dispersão acelerada e de forte potencial de impacto ecológico e socioeconômico na região. O molusco, originário do sudeste asiático, chegou à América do Sul provavelmente no início da década de 1990, por meio da água de lastro de navios mercantes, e rapidamente encontrou nas águas brasileiras condições favoráveis para a sua expansão.
Os efeitos ambientais do mexilhão-dourado são documentados e incluem a alteração da transparência da água, modificação da qualidade do habitat, acumulação de metais e toxinas, redução da presença de animais que vivem no fundo dos rios, competição com espécies nativas por alimento e espaço, e desequilíbrios na vida aquática. Além disso, a presença do mexilhão-dourado gera impactos socioeconômicos, como perdas de redes de pescadores, prejuízos de piscicultores e obstrução de tubulações.
Uma equipe de pesquisadores realizou amostragens em outubro de 2024, em três pontos sobre o Pedral do Lourenço, e encontrou uma densidade populacional média de 11.940 indivíduos por metro quadrado, muito superior à registrada em 2023. Isso indica que a espécie já se adaptou ao ambiente local e possivelmente já produziu ao menos uma vez.
A eliminação da espécie em ambientes naturais é considerada praticamente impossível, mas o controle é possível em estruturas artificiais, como hidrelétricas e sistemas de abastecimento de água, utilizando combinações de métodos físicos, mecânicos, químicos e biológicos. A estratégia mais eficaz é o uso de protocolos integrados, combinando diferentes métodos capazes de manter estruturas livres de incrustações.
- A presença do mexilhão-dourado gera impactos socioeconômicos, como perdas de redes de pescadores e prejuízos de piscicultores.
- A espécie altera a transparência da água e modifica a qualidade do habitat.
- A eliminação da espécie em ambientes naturais é considerada praticamente impossível.
A pesquisa recebeu financiamento do Instituto Evandro Chagas (IEC) e do Ministério da Saúde (MS) e apoio do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Norte (Cepnor/ICMBio). É fundamental que sejam tomadas medidas para controlar a dispersão do mexilhão-dourado e mitigar seus impactos ambientais e socioeconômicos.
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