Inauguração do Primeiro Arquivo Mundial de Geleiras
Os cientistas inauguraram o primeiro arquivo mundial de geleiras na Antártida, com o objetivo de preservar as “cápsulas do tempo” naturais que contêm fragmentos da atmosfera de séculos e milênios atrás. Essas bolhas microscópicas de ar estão presas nas profundezas das geleiras e têm derretido devido ao aumento das temperaturas.
Frente a essa ameaça, a Fundação Ice Memory, da França, liderou a iniciativa de criar um santuário para armazenar amostras dos núcleos glaciais. A caverna de gelo foi escavada a cinco metros abaixo da superfície da neve na Estação Concordia, no Planalto Antártico Oriental, onde a temperatura se mantém estável em -52°C durante todo o ano.
O que está em jogo?
Os núcleos de gelo funcionam como arquivos naturais do planeta Terra, registrando concentrações de gases de efeito estufa, partículas vulcânicas, poluentes industriais e vestígios de eventos extremos. No entanto, o aquecimento global ameaça essas fontes de informação, e o recuo acelerado de geleiras de montanha pode levar à perda de parte da memória climática do planeta.
A proposta do santuário é impedir que isso aconteça, armazenando as amostras em um local seguro e estável. Em janeiro deste ano, o santuário recebeu seu primeiro carregamento de grande porte, incluindo um núcleo extraído em 2016 do Mont Blanc, na França, e outro coletado em 2025 no Grand Combin, na Suíça.
- As amostras foram transportadas a bordo do quebra-gelo de pesquisa Laura Bassi, mantidas em um congelador gigante a -20°C durante toda a viagem.
- A jornada começou na Europa em meados de outubro de 2025 e durou mais de cinquenta dias.
- Cada etapa exigiu monitoramento rigoroso da cadeia de frio, já que qualquer variação poderia comprometer décadas de informações climáticas.
A inauguração do santuário na Antártida marca o início do primeiro arquivo global de geleiras de montanha, e a expectativa é que dezenas de outros núcleos de gelo sejam incorporados nos próximos anos. Esse armazenamento permitirá que futuras tecnologias sejam desenvolvidas e revelem mais detalhes sobre o cenário climático da Terra.
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